INICIATIVAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL COM PROPOSTA SUSTENTÁVEL GANHAM MERCADO

Redução de resíduos é um dos objetivos almejados por iniciativas do setor

Geração de resíduos, uso de energia elétrica, consumo de água e poluição são apenas alguns dos exemplos da influência negativa da construção civil no meio ambiente. No entanto, a demanda popular e os avanços tecnológicos estão promovendo iniciativas para diminuir esses impactos. Confira a seguir as novidades disponíveis no setor:

Um levantamento da consultoria KPMG indica que 86% das 100 maiores empresas brasileiras reportaram questões relacionadas à ESG. A maioria delas (90%) divulgou metas para descarbonização, superando a média de 72% na América Latina. Entre as soluções pensadas para atingir esse objetivo, está a adoção de peças pré-fabricadas de madeira engenheirada para substituir o aço e o concreto.

É com essa tecnologia que a startup Noah para fazer sua parte na redução do impacto. ‘É uma técnica construtiva que corrobora para a mitigação do carbono, uma vez que no processo produtivo de 1 m³ da madeira, por exemplo, é possível retirar 1 tonelada de CO2, contribuindo assim para a redução do efeito estufa’, afirma Nicolaos Theodorakis, fundador e CEO da companhia.

Além da madeira, outros produtos tradicionais também vão se adaptando às demandas do mercado. Outro exemplo é o tijolo ecológico, que tem sido uma resposta ao consumo de argamassa e concreto em blocos, dois dos principais materiais descartados nos canteiros de obras.

Existem diversos tipos de tijolos ecológicos fabricados com uma gama variada de materiais, que vão de cinzas do bagaço da cana-de-açúcar à fibra de coco do babaçu, passando por couro e borracha. Porém, apesar de reduzir a demanda energética em comparação ao tijolo cerâmico, o modelo ecológico tende a ser mais caro e demanda uma mão de obra especializada.

Um estudo da Mckinsey indica que só os novos edifícios são responsáveis por 5% das emissões anuais de gases de efeito estufa. De acordo com o Ministério das Cidades, estima-se que os resíduos de construção e demolição representam de 51% a 70% dos sólidos urbanos. É diante desses números que cidades ao redor do mundo estão dando mais atenção à possibilidade de reciclar materiais de construção.

Na cidade de Portland, nos Estados Unidos, por exemplo, uma lei aprovada em 2016 determina que edifícios construídos antes de 1940 que seriam demolidos devem ser ‘desconstruídos’. A ideia é tentar reaproveitar o material para diminuir o desperdício e os impactos ambientais da queima de detritos ou do envio para aterros sanitários.

Enquanto isso, arquitetos já desenvolveram técnicas de construção de novas estruturas pensando em uma possível desmontagem no futuro, de forma que o processo seja sustentável.

Uma diferença de abordagem é percebida já na escolha dos materiais que podem ser reciclados ou reutilizados, como madeira e aço, ao contrário do concreto ou drywall, ou mudanças ainda menores como o uso de parafusos removíveis ou fixadores mecânicos ao invés de soldas e adesivos químicos.

Caminhando em uma direção parecida, a plataforma habitacional MRV&CO se compromete a reaproveitar o concreto dos canteiros de obra para a construção de peças decorativas que vão adornar os imóveis, além de destinar todo o papel e plástico das construções para a reciclagem.

A construção modular é um processo de construção que consiste na fabricação e montagem fragmentada de um imóvel. Na prática, é um método em que módulos individuais são pré-fabricados em uma espécie de linha de montagem e transportados até o local da obra para a instalação.

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‘Quando comparado às construções tradicionais, feitas com alvenaria, temos uma instalação fácil e rápida, melhoria no desempenho térmico e acústico, ganho de área útil nos ambientes, redução no prazo da construção e uma obra mais limpa, com menos entulho’, explica Maíra Baltrusch, coordenadora sênior de projetos da Yuny, incorpora que adota a prática.

Também é dessa forma que a incorporadora URBIC atua. ‘A construção industrializada é preponderantemente feita com processos ‘secos’, sem uso de argamassa e processos úmidos’, afirma Luiz Henrique Ceotto, diretor técnico da companhia. ‘O processo acelera as entregas para tempo recorde e os ciclos de incorporação duram entre 25 e 35 meses, desde a compra do terreno até a entrega das chaves.’

Ele destaca que a estratégia garante redução de desperdícios e do uso de água na execução da obra. ‘Na construção convencional, utiliza-se cerca de 500 litros por m² de construção, enquanto na industrializada, gasta-se menos de 30 litros por m²’, garante Luiz.

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